terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Yes We Can!




Ao 44º acto…


…anunciam-se épicos ventos de mudança…

…é de esperança o olhar em negra herança…

…um só homem evoca o brilho da aliança…

…a confluência dos estados na nova liderança…

…o mundo em ti deposita enorme confiança…


Yes We Can!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Trim!... Trim!... Enxugam-se as remelas




Trim… Trim…


Ecoa o estridente
toque do despertador…

No balbuciar inaudível
disparam-se impropérios
por entre cegas olheiras…

Atavia-se a indumentária,
enxugam-se as remelas,
escovam-se os cabelos
desta classe operária…

Pequeno-almoço já era,
o transporte público,
esse, não espera…

Cava-se o asfixiante lugar,
nesta categoria precária…

O picar do ponto atrasado
nesta infame grosseria
é corte no ordenado…

No padecer do tempo,
entre enfadonhos intervalos,
é miserável o tormento,
do emprego mal amado…

Afogam-se as mágoas
naquele funéreo destilar
das tabernas pardas…

Vaguear trôpego pela rua,
tropeça no seu triste fado…

O anestesiar do pesadelo…

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ecos de Tumulto




Quero…

… calar estes ecos de tumulto que me atormentam…
… libertar estes gritos insanos que me mortificam…
… soltar estas obstinadas amarras que me seguram…


Quero…

… Olhar-te…
… Respirar-te…
… Sentir-te…
… Viver-te…


Quero…

… simplesmente Amar-te na plena acepção deste sentimento…


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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Bafo do Predador




Que puta de rua é esta onde pairam os abutres,
esperando pela calada da noite débeis inocentes…
Acercam-se da presa como pérfidos carniceiros,
lançando as suas garras afiadas em golpes letais…


Profanam imaculadas entranhas
no atroz e pungente trespassar,
conspurcando singelas criaturas
na repugnante mácula do pecado…

Petrificam rostos horrorizados
nesse torpe bafo do predador,
derramando lágrimas silenciosas
nesse estuprar tirano e opressor…


São putas todas estas ruas, becos e vielas,
infestadas pelo cheiro pútrido e pestilento,
oprimidas nos prantos de vítimas dilaceradas…


P.S. No assinalar do dia da Paz, um grito por todas vítimas de crimes horrendos...

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O que será afinal o Natal?...


Disperso na azáfama deste consumismo desenfreado, em que as pessoas se atropelam nas intermináveis filas de espera dos centros comerciais, na ânsia de encontrar os últimos presentes de Natal, ainda que estes mesmos em nada se identifiquem com o destinatário, vagueia impetuosamente pelos recônditos infinitos do meu pensamento a pertinente questão: o que será afinal o Natal?

Não será o Natal o esboçar de um sorriso na candura iluminada daqueles rostos vincados pelas profundas rugas de tristeza e amargura?

Não será o Natal o acender da centelha cristalina naqueles olhares que reflectem a profunda solidão dos que foram entregues ao desprezo e abandono desta sociedade desprovida de valores?

Pois bem, fica dissolvida na atmosfera esta simples e desconcertante questão... Estará ao nosso alcance
fazer acontecer o Natal?


Com os votos de Feliz Natal,

Abraço,

Helder Magalhães

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Horas Lânguidas



Horas lânguidas essas,

em que as torrentes das

águas voluptuosas escorrem

ardentemente em cada poro

da nossa pele de veludo,

incendiando nossos corpos

numa pira incandescente…

Ávidos, sedentos de prazer

possuímo-nos alucinantemente,

suspirando em estonteante espiral

rumo ao ocaso do eclipse total…


P.S. Este Poema encontra-se presente num dos 20 cigarros do Maço de Poemas, a 1ª Antologia WAF.