sexta-feira, 16 de outubro de 2009

...queda-se o tempo


Funde-se a noite no resplendor do teu olhar em tons esmeralda…
…queda-se o tempo, suspenso na cadência que me habita o peito…

…perco-me no vazio negro do céu ainda despido do luar…

Esboço os traços límpidos do sorriso que imagino no teu rosto…

…alva resplandecente no despontar cristalino dos corpos celestes…

…imprimes na tez morena da minha pele o fogo do teu toque…

Espero a tua chegada na suave brisa que anuncia a madrugada…

…juntos adormecermos na lua que se deita em quarto minguante…

…vestes-me de eternidade no chamamento do teu murmúrio…

terça-feira, 6 de outubro de 2009

...adentrar outonal...




...sinto já a temperatura a desfalecer lentamente, anunciando o adentrar outonal... à medida que as folhas maduras se desprendem dos ramos das árvores, imagino os nossos corpos despirem-se, sob o lampejo dum olhar faiscante, ao crepitar do fogo da lareira, entregarem-se à fúria arrebatadora da paixão, própria dos que amam como se o amanhã não viesse...


...

"Elle : Apprends-moi l'amour

Lui : Je t'apprendrai l'amour

Elle : Tu m'emmèneras où ?

Lui : Ici, là-bas, partout

Elle : Ça durera ... des jours ?

Lui : Ça durera toujours."

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Cacto da esperança


Sob o pungente silêncio da dor,
a mão estendida clama auxílio
nas pétalas que derramam
o encarnado sofrimento.

Irradia a luz cristalina,
sob o verde tom,
que brota no caule
do cacto da esperança.


Poema inspirado num quadro de Né Oliveira presente na sala de espera para o xarope aloé preparado pelo Frei Perdigão, no colégio Montariol.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

...em ti me desnudo...



No degustar do paladar do delicioso café,
o envolvente néctar dos teus lábios carmim...

No doce acariciar dos radiantes raios de sol,
o incandescente toque da tua pele de veludo...

No flutuar do aroma silvestre que paira no vento,
o estonteante inebriar da tua sublime fragrância...

No suave murmúrio em que a brisa me envolve,
o flamejante sussurro da tua voz que enlouquece...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

...everything...



Desde que me conheço como Homem, um dos meus mais profundos desejos era encontrar a minha Alma Gémea, a Mulher com quem iria descobrir a plenitude do Amor Incondicional, a quem iria sentir a ínfima necessidade de me entregar de Corpo e Alma...
Num daqueles Acasos da Vida, sem plausível explicação, entraste de mansinho, arrebatando a plenitude do meu Ser com a simplicidade da tua beleza interior, a tua personalidade única, o teu jeito especial de ser e estar...
Contigo esse eterno e profundo desejo tornou-se realidade e jamais poderia ousar imaginar que fosse algo de tão único, tão belo, tão especial, tão profundo, tão...
Hoje sei o que é sentir a força e beleza do Amor fervilhar no mais intimo do meu Eu, e o meu mais sincero desejo, o meu mais profundo querer, é partilhar a minha Vida contigo, saboreando cada momento ao teu lado, na etérea cumplicidade que nos une...



You're everything, everything
You're all I want
You're all I need
Everything, everything

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Musa


Tu és a perfeita poesia

que a minha alma faz brotar

a essência de cada verso que em mim floresce…


Esse teu aroma a maresia

que me seduz no sublime inebriar

arrebatando-me no sentimento que engrandece…


Tu és o meu Poema de Amor

que pela eternidade declamarei com profundo ardor…



Amo-Te!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Substância!




O calor afecta a capacidade dos neurónios funcionar. Um estado de moleza parasita apodera-se do cérebro, impedindo o curto-circuito necessário à criação. Muito boa gente, que se julga prima-dona no que toca à arte de bem escrever, presenteia-nos com autênticas facúndias, abundantes e estéreis, capazes de gerar os mais idiotas e delirantes encómios das súbditas hostes. Infortúnio apanágio desta sociedade órfã de valores, desprovida da capacidade de pensamento próprio, manipulada pelos interesses fundamentalistas dos grupos de pressão! Lutaram até à morte muitos dos nossos antepassados para se livrarem de toda a espécie de escravidão, para agora nos sujeitarmos a mandos absolutos e arbitrários, vontades imperiosas e caprichosas, de alguns indivíduos cheios de substância!